sexta-feira, 30 de março de 2018

Sou um caos.

Sinto que estou a tornar-me uma pessoa mais fria. E não gosto, nem um pouco, desta versão minha. Costumava ser mais compreensiva, costumava colocar-me, sempre, no lugar do outro antes de ousar falar da sua atitude. Agora não. Agora, de vez em quando, falo sem prestar atenção, sem parar para pensar se aquilo que vou dizer irá magoar a outra pessoa. Hoje apercebi-me disso e não quero nada ser essa pessoa.
É certo que a vida não volta atrás, não posso apagar tudo aquilo pelo que passei e que me tornou numa pessoa mais fechada, menos dada a toda a gente. E parte de mim tem orgulho nisso, no facto de ter deixado de ser a menina ingénua com quem todos brincavam. Mas também não quero que essa menina se torne numa pessoa frustrada por tudo o que lhe fizeram. Na verdade, acho que tenho é medo que, atitude a atitude, isso aconteça. Espero que não. Espero continuar a evoluir, a crescer, mas que mantenha sempre a minha essência, aquela que sempre me caraterizou.

quinta-feira, 22 de março de 2018

Hoje acordei para fazer diferente.

Tenho andado mais em baixo, é verdade. Com tudo o que tem acontecido à minha volta, tenho-me sentido um pouco perdida e acho que me levaram a vontade de escrever para longe também. 
Mas hoje escolhi fazer diferente. Hoje quero apenas paz, boa energia, boa música e bons amigos. Quero estar bem, sentir-me bem e fazer bem aos outros. Porque, na verdade, sabemos tão pouco. Um dia, pode ser o último dia. A última página e a última palavra escrita. Por mais que deseje que esse dia se encontre muito longe da nossa vista, eu não sei onde está nem onde vai estar ou onde o vou encontrar. E, sinceramente, não estou muito interessada em saber. Quero aproveitar. Ser feliz e fazer o que me faz feliz. Porque o resto é só o resto... e nunca ninguém precisou de restos para ser feliz.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

O futuro nunca estará garantido.

De vez em quando, perco-me em mim, principalmente na incerteza do que não aconteceu ainda. Acontece. E ainda bem que te tenho a meu lado para me guiar. Preciso de ti tantas vezes. Preciso de ti mesmo quando acho que consigo resolver tudo sozinha... aliás, é talvez nessa altura que me fazes mais falta. O nosso percurso não tem sido fácil... somos os mais unidos que conheço, resolvemos todas as desavenças a comunicar e em circunstância alguma ousamos faltar ao respeito um ao outro. E eu tenho muito orgulho em nós. 
Têm sido três anos maravilhosos, os melhores da minha vida, apesar dos obstáculos que surgiram, como consequência da vida. É claro que, de outra forma, não teria piada, seria tudo demasiado fácil, demasiado monótono. Mas temos ultrapassado tudo juntos. Dia após dia. E desta vez não será diferente. 
Agora, temos a audácia de olhar para trás e de ver o que conquistamos. Não sei se sabes o quão orgulhosa tudo me faz sentir. Os problemas que enfrentámos, por muito dolorosos que sejam em determinadas situações, foram vividos e enfrentados em conjunto. Não fui só eu. Não foste só tu. Talvez de forma diferente, mas ambos vivemos o que a vida achou que devíamos viver. No entanto, ambos soubemos levantar a cabeça e mostrámos estar preparados para o que desse e viesse. E, aos poucos, as coisas vão melhorando, os obstáculos têm-se tornado um pouco mais pequenos. E tudo porque fizemos o percurso de mãos dadas, mesmo quando eu estava longe, porque nos apoiamos mutuamente e porque envolvemos muito amor, muito carinho e muita dedicação à mistura. 
Na verdade, agora percebo que talvez as coisas não tenham mudado tanto assim, se calhar fomos nós que aprendemos a lidar com a situação de melhor forma. Se calhar os obstáculos não diminuíram, fomos nós que crescemos. E é assim que temos de enfrentar o que surgir. Porque a vida vai continuar a trazer notícias, problemas, situações, incógnitas (...). Cabe-nos a nós optar por ir ou ficar. E o futuro sempre será uma incógnita. Admiro-nos muito por isso - temos a perfeita consciência de que, amanhã, poderemos não estar mais juntos. Não sabemos o que o futuro nos reserva, por isso não nos tomamos como garantidos. E por mais clichê que este texto se torne, espero que o que temos seja eterno (dure a eternidade o tempo que durar).

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

É difícil de combater.

Gosto pouco destes dias. Muito pouco. Estava tão bem - por todas as razões e mais algumas, estava feliz. Estava a fazer novos planos e a estabelecer alguns objetivos. Mas depois, do nada, fiquei assim outra vez.
Não tenho vontade de fazer nada, mas quero fazer tudo. Quero sair de casa, fazer algo diferente, algo que me faça sentir útil. Mas, no entanto, não consigo. Só tenho vontade de ficar na cama, não consigo sair daqui. Queria ir ter com o Hugo e dar-lhe um abraço forte. Mas não consigo. É mais forte do que eu é impede-me de ser eu própria. O que é que eu faço?

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Pensa.

Já alguma vez pararam para pensar na porção de tempo do nosso dia em que não estamos agarrados a novas tecnologias?
Acordamos e qual é a primeira coisa que fazemos? Desligamos o despertador que, por norma, é programado pelo telemóvel. O mesmo que desbloqueámos e depressa investigamos para ver se surgiu alguma novidade durante a noite. Só depois nos levantámos. Tratamos das nossas coisas e quando vamos tomar o pequeno-almoço, levámos o pequeno amigo connosco. Dá-mos umas voltas pelo instagram, apreciamos as manhãs calorosas dos outros e, por vezes, até tentámos tirar uma daquelas fotos com um bom pequeno-almoço, para que todos vejam a sorte que temos. 
Entretanto, quando vamos, realmente, apreciar o momento, o pequeno-almoço já está frio, porque nos distraímos nas 20 fotos que tiramos. E depois seguimos à nossa vida - uns vão trabalhar, outros estudar... mas todos, sem exceção, percorrem o caminho com o olhar atento sobre aquele ecrã, não vá alguém ter ligado e eu não ter dado conta. E, quando há uma pausa, ao invés de irmos ali e desfrutarmos de um café com o colega do lado, vamos à bolsa e lá está ele outra vez - tirámo-lo do silêncio e começamos mais uma pesquisa. Ás vezes até fazemos um clique para mais uma foto, afim de que o resto do mundo veja o quão produtivo o nosso dia está a ser. Ou o quão divertido. Ou o quão aborrecido.
É claro que, com tudo isto, estou a exagerar. Nem eu própria, que prezo tanto os pequenos detalhes da vida, dou esta importância que realcei ao mundo virtual, mas, a verdade é que, sem nos darmos conta, às vezes passamos a linha e ficamos algum tempo perdidos ofline, quando poderíamos estar a aproveitar o melhor que a vida nos dá. E podem continuar a tirar muitas fotos, se isso vos fizer sentir bem. Por vezes, só queremos partilhar um pouco da nossa felicidade com alguém ou homenagear quem está ali ao nosso lado, e não existe mal nenhum nisso. Mas reflitam sobre aquilo que vale, realmente, a pena. E sejam felizes. Sejam muito felizes.

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Depois do turno de 10h, sabe bem pensar que amanhã é quinta.

Ainda não tinha vindo aqui falar acerca do meu estágio, o melhor de sempre. Estou no centro de saúde, que é tudo menos "parado", como anteriormente julgava que seria.
Estou mesmo a adorar e, finalmente, sinto-me bem e integrada numa equipa. Assim dá-nos um gosto tão maior de vir trabalhar. A semana continua a custar, os dias são longos, as viagens para cá e para lá continuam a ser tão desgastantes como no primeiro dia. Mas a gratidão que se sente no final do dia, é inexplicável. Os utentes são, no geral, pessoas fantásticas, super afáveis e que só precisam de um pouco mais de afeto, que também tentamos transmitir, na medida do possível. E tenho-me sentido tão realizada.
Ainda hoje, depois de um dia exaustivo e pouco tempo antes de sair, levei com o abraço carinhoso de uma menina de 4 anos. Depois de lhe ter sido administrada uma vacina e de ter chorado um bocadinho, pediu-me que lhe lê-se uma história. Foi tão bom!
E neste serviço sinto que não somos "só" enfermeiros, somos enfermeiros com "E" grande que fazem a diferença e que desempenham papel de médico, de dentista, de optometrista, de psicólogo... e as pessoas, aos poucos, vão começando a reconhecer o nosso trabalho.
Mas hoje já é quarta e eu estou mesmo ansiosa para que o resto da semana passe e eu volte rápido para junto dos meus. Esta semana estou cá sozinha, o que dificulta ainda mais a passagem do tempo. Mas tudo se faz, tudo se consegue. Que sejamos sempre felizes.

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Mente atribulada, podes dar-me um descanso este ano.

É o primeiro dia de um novo ano. E começou de forma tão boa, tão aconchegante e tão divertida - começou em família (a melhor do mundo). Dançamos imenso, cantamos, abraçamo-nos e fomos genuinamente felizes. Como somos sempre que estamos juntos. Mas confesso que estávamos a precisar desta lufada de ar fresco e de boa disposição. 
No entanto, como se fizesse falta alguma, comecei a sentir-me ansiosa novamente. Fico frustrada e triste comigo mesma porque, num momento tão bom como este, não sou capaz de ser forte o suficiente para combater o que me está a magoar por dentro. Sou eu e esta minha vontade enorme de não sair da cama, de fazer suposições e de passar horas a pensar naquilo que nem aconteceu ainda. São as saudades do que já partiu e daquilo que nunca foi. Sinto-me tão bipolar. Estou ótima num instante mas, depois, fico num estado péssimo. E o pior é que tenho noção de tudo isso e sei que não deveria ser assim... não queria ser assim. Tenho tantos medos, tantos receios. E todos temos, eu sei. Mas, às vezes, eu não sou capaz de os fechar numa caixa e sair à rua sem eles. Não sei escondê-los, não pensar neles. Não sei adaptar-me a eles ou estar bem com eles. Insisto em levá-los comigo para todo o lado. Por isso, queria muito que este ano fosse diferente.

Ele é a minha casa.

Que difícil é termos de nos despedir da pessoa que nos faz acordar com mais força todas as manhãs. Cada vez mais tenho a certeza de que é...