Já alguma vez pararam para pensar na porção de tempo do nosso dia em que não estamos agarrados a novas tecnologias?
Acordamos e qual é a primeira coisa que fazemos? Desligamos o despertador que, por norma, é programado pelo telemóvel. O mesmo que desbloqueámos e depressa investigamos para ver se surgiu alguma novidade durante a noite. Só depois nos levantámos. Tratamos das nossas coisas e quando vamos tomar o pequeno-almoço, levámos o pequeno amigo connosco. Dá-mos umas voltas pelo instagram, apreciamos as manhãs calorosas dos outros e, por vezes, até tentámos tirar uma daquelas fotos com um bom pequeno-almoço, para que todos vejam a sorte que temos.
Entretanto, quando vamos, realmente, apreciar o momento, o pequeno-almoço já está frio, porque nos distraímos nas 20 fotos que tiramos. E depois seguimos à nossa vida - uns vão trabalhar, outros estudar... mas todos, sem exceção, percorrem o caminho com o olhar atento sobre aquele ecrã, não vá alguém ter ligado e eu não ter dado conta. E, quando há uma pausa, ao invés de irmos ali e desfrutarmos de um café com o colega do lado, vamos à bolsa e lá está ele outra vez - tirámo-lo do silêncio e começamos mais uma pesquisa. Ás vezes até fazemos um clique para mais uma foto, afim de que o resto do mundo veja o quão produtivo o nosso dia está a ser. Ou o quão divertido. Ou o quão aborrecido.
É claro que, com tudo isto, estou a exagerar. Nem eu própria, que prezo tanto os pequenos detalhes da vida, dou esta importância que realcei ao mundo virtual, mas, a verdade é que, sem nos darmos conta, às vezes passamos a linha e ficamos algum tempo perdidos ofline, quando poderíamos estar a aproveitar o melhor que a vida nos dá. E podem continuar a tirar muitas fotos, se isso vos fizer sentir bem. Por vezes, só queremos partilhar um pouco da nossa felicidade com alguém ou homenagear quem está ali ao nosso lado, e não existe mal nenhum nisso. Mas reflitam sobre aquilo que vale, realmente, a pena. E sejam felizes. Sejam muito felizes.