terça-feira, 14 de agosto de 2018

Não temos a nossa casa mas podíamos ter.

Não temos a nossa casa mas podíamos ter. Em dias especiais, como este, gostamos de fazer coisas diferentes. De passear, de aproveitar os dois, de visitar sítios novos ou, simplesmente, de desfrutar da companhia um do outro. Temos uma tradição: tem de haver sempre uma espécie de jantar romântico. Os dois gostamos de cozinhar e de deixar um brilho especial nos pratos que fazemos. Eu costumo colocar um pouco de amor em tudo o que faço. E ele não fica nada atrás. E hoje é o nosso dia. E, ao invés de passar horas a pesquisar um restaurante cuja comida seja livre de glúten aqui por perto, onde existe sempre o receio de que, mesmo que o encontremos, venham umas mãos com farinha/massa/whatever e contaminem o meu prato... preferimos ser mais simples. Se vivêssemos juntos, uma boa refeição e umas velas não nos escapavam. Ah, se vivêssemos juntos não tinha de me despedir dele à noite nem de dizer "vai com cuidado, manda mensagem quando chegares". Mas... seria diferente. Melhor. Mais bonito.
Não tarda acordarei a teu lado. Que bom que vai ser.
Obrigada a ti, à pessoa que és e à pessoa que me fazes ser. É tão bom crescer contigo. Foram os 3 anos e 7 meses mais felizes da minha vida. Obrigada pela paciência, por cuidares tão bem de mim e por me lembrares que os dias menos bons não me definem. És o melhor do meu mundo.

domingo, 12 de agosto de 2018

Que dias intermináveis.

Estes dias têm sido bastante duros... não posso sair de casa e limito-me a estar sentada ou deitada todo o dia. Só quem me conhece sabe o que isso me faz sofrer. Gosto de fazer imensa coisa, de tirar o melhor proveito dos meus dias. Mas sinto-me tão presa. A minha sorte é que os meus pais estiveram de férias durante este período de recuperação mais difícil. Pelo menos não estive sempre sozinha. Mas pronto. Sinto falta de ser eu a tratar das minhas coisas. Eu adoro os meus pais com tudo o que tenho e sou a miúda mais grata por ter, verdadeiramente, a melhor família do mundo. Mas há dias em que já não me identifico com tudo isto. Adoro os jantares em família, as gargalhadas que damos quando estamos juntos e só saem disparates. Adoro o quão bem me fazem sentir e os abraços quentes da minha mãe. Adoro que adorem ter-me por perto. Adoro ver o meu irmão tornar-se no homem que qualquer rapariga deseja. Amo-os pelos valores incontestáveis que me transmitem diariamente.
No entanto, sonho cada vez mais em ter a minha casa, com os meus (mil) cães e o meu amor - é isso que faz sentido para mim neste momento. Já não me identifico com o cansaço, as tardes passadas no sofá... esse tipo de coisas que os pais têm o direito de fazer porque são os maiores trabalhadores. O facto de ter tido imenso tempo para pensar também não tem ajudado muito. Af, quero começar a andar outra vez!
A verdade é que já consigo usar apenas uma moleta, mas sinto necessidade de parar para descansar e esticar a perna frequentemente. Mas isto vai lá, já faltou mais.
Gostava de ter tido alguma visita de um ou outro amigo. O Hugo é o melhor do mundo... mesmo sem folgas e descanso, aparece aqui no final do dia, nem que seja só para me lembrar que está aqui. É o meu orgulho. E eu sei que durante estes dias as dores foram muitas e, por vezes, não havia paciência para estar com quer que fosse... mas talvez um abraço ou um ombro amigo me fizessem sentir melhor. Não sei. Eles têm as vidas deles. Eu compreendo.
Talvez eu esteja mais carente. Porque isto é o que acontece quando se está há 8 dias em casa, a ver as mesmas coisas e as mesmas pessoas, a quem tens de pedir tudo. 
Não são as melhores férias do mundo. Mas o lado positivo é que prefiro passar por isto agora a ter de faltar a aulas ou ao estágio. Por isso agradeço. Obrigada!
Ps: quero ver o mar, mas não posso apanhar sol.

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Eu sei, é só mais uma fase.

Parte de mim está muito feliz. Finalmente fiz a operação que prometia livrar-me de alguns problemas que têm vindo a atacar o meu joelho, provocando uma dor intensa há quase 3 anos. E estou verdadeiramente esperançosa de que tudo vai melhorar. Não tarda estou aí a fazer maratonas.
No entanto, por outro lado, uma parte de mim será sempre vulnerável. Muito vulnerável. O facto de conseguir fazer muito pouco, de passar grande parte do dia na cama ou no sofá está a dar cabo de mim. Gosto de me levantar cedo, de fazer as minhas coisas. Sou tão independente e, nestes dias, tenho dependido tanto dos outros... isso custa-me muito. Tento ter o maior cuidado com a alimentação, uma vez que não posso fazer exercício como antes, mas por vezes é difícil combater a carência que sinto. Quero estar com todo o mundo mas só me sinto bem sozinha, sem atrapalhar ninguém. Sinto que estou a engordar e só Deus e eu sabemos a forma como o que vejo no espelho me faz sentir.
Só quero que esta fase passe rápido, que volte depressa às minhas atividades, aos meus almoços coloridos feitos por mim, às minhas caminhadas e às saídas com ele. Tenho tantas saudades dele - tem tido imenso trabalho, vai trabalhar 3 emanas seguidas sem uma folga e anda completamente estourado. Como se não bastasse ainda tenta cuidar de mim. É o melhor do mundo.
Não está fácil. Mas há de ficar melhor, com o tempo.

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Um dia, irei lá chegar.

Por muito que não o queira admitir, ou que desejasse ter sido de outra forma, sou uma daquelas pessoas que fica a pensar no que os outros dizem durante algum tempo - "será que devia mudar?" "será que eles têm razão?" "estarei gorda?" "o que irão eles pensar?".
É, este não é, de todo, o exemplo que quero deixar aos outros. Lembro-me de ser mais nova e de me privar de coisas que gostava. Durante as refeições, tentava não comer muito, não queria que parecesse mal nem que achassem que iria engordar por causa disso. Algo, definitivamente, não estava bem comigo. Que ideia tão errada, deixar que a sociedade decidisse a pessoa em que eu me tornaria ou, pior, que julgasse o que quer que fosse. Mas essa era eu. E, depois, como tinha comido tão pouco, acordava a meio da noite com imensa fome, ou então deitava-me de estômago vazio, e não adormecia enquanto não comesse - e, como me havia privado disso durante todo o dia, era impossível comer só "qualquer coisita".
Felizmente, ao longo destes anos, tenho conseguido ganhar algum amor próprio. Não é, nunca foi e nem será mais fácil. Mas aprendemos a tornar-nos mais fortes a cada dia. Caso contrário, o mundo derruba qualquer expectativa, esperança ou vontade. 
Decidi, com toda a força que os obstáculos da vida me proporcionaram, que iria cuidar de mim. Não me quero privar de nada. Se há algo que me apetece, naquele momento, devo comer. Desde que tudo seja equilibrado, sem exageros, está tudo bem. Agora, tento conciliar uma alimentação saudável com exercício físico, equilíbrio, coisas que me fazem bem e coisas que fazem bem ao meu coração. Nem sempre é fácil, é que eu sempre fui das pessoas mais saudaveis que conheço e, mesmo assim, a balança continua a não mostrar os valores que eu desejo. A diferença é que, hoje, aceito o facto de que cada organismo funciona de forma diferente, uns mais lenta e outros mais rapidamente. Aquilo que realmente interessa, no final do dia, é que olhes para dentro de ti e percebas que te sentes bem. Gostas do que vês, do que és e do que fazes. Que sensação boa. 
Um dia, irei lá chegar.

Ele é a minha casa.

Que difícil é termos de nos despedir da pessoa que nos faz acordar com mais força todas as manhãs. Cada vez mais tenho a certeza de que é...