Sou uma pessoa demasiado dada aos outros - aos outros, às suas causas e à sua dor. E sei que é, em parte, isso que me torna na pessoa que sou e que, um dia, me irá transformar na profissional que sempre desejei ser. É esse amor pelos outros que nos distingue dos demais, porque só assim podemos cuidar do outro - colocando-nos no seu lugar, criando uma relação empática que leva o outro a confiar, a desabafar, a sentir-se seguro.
No entanto, insisto em ser assim com o resto do mundo também. E é este que, de vez em quando, sente que me tem como garantida e me magoa por isso mesmo. Deixo-me levar por causas que não são minhas. Enquanto defendo os outros, percebo que, às vezes, eles não querem ser defendidos. Mas só depois entendo que as minhas boas intenções nem sempre são bem interpretadas. E... como isso dói.
Vivi grande parte da minha vida na tentativa de fugir da dor que eu própria criara. E agora, como se isso não fizesse parte integrante da vivência humana, tenho medo que os outros se sintam daquela mesma forma que eu, um dia, também me senti. E luto, luto por eles, para eles e mais do que eles.
Esqueço-me é que nem todos têm bom coração e que, às vezes, aquilo que fazemos é interpretado de forma diferente por cada um. A lição, desta vez, é a de que nós sempre vemos nos outros o retrato de nós mesmos. Se fazemos o mal, veremos sempre o mal no outro. Se estamos magoados, teremos tendência a descarregar um pouco de dor no outro. E se somos de oportunidades e de valores, a nossa balança inclina sempre para o lado do perdão.
Paremos para pensar e, por favor, valorizemos quem nos dá valor.

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