O dia nasceu cinzento, o sol não marca a sua presença e tudo o que se sente é o fumo que ficou de uma das piores noites de sempre. Foi assustador, avassalador. Pensar no que poderia ter sido, nos poucos minutos que nos afastavam das chamas e, ainda, viver na angústia de quem não sabe o que se passa com os seus.
Portugal está revestido sob um manto negro - hoje tudo é cinza, tudo é tristeza. E eu não podia estar mais triste. Agora, segura, olho pela janela e tudo o que vejo é o fumo que marca a história das vidas que, ontem, se perderam. Como é que é suposto vivermos com isto? Como é que é suposto vermos o nosso mundo a deteriorar-se aos poucos e, na nossa impotência, não sermos capazes de fazer nada? Quero voltar para os meus, quero que me digam que não passou de um sonho mau. Mas nem há rua podemos sair... era assim que imaginavam o fim do mundo?
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