Acho que, quando quando se atinge certo limite, aprendemos a desenvolver uma defesa tal, que somos capazes de esconder qualquer coisa. E pensam que está tudo bem, o trabalho corre bem, as notas são boas, ela sorri imenso e está sempre a dizer piadas.
Mas as coisas acontecem e, de repente, toda a gente se pergunta porquê.
Aquela que parecia ser uma vida cheia de coisas boas, afinal, não era assim tão boa. Ela era boa a esconder os problemas, não a livrar-se deles.
É que perdemos demasiado tempo a falar da vida alheia, a criticá-la e a julgá-la, mas, na verdade, não sabemos o que se passa atrás de cada porta. Não sabemos o que acontece depois de cada "até amanhã". Sabemos tão pouco, e falamos tanto. Depois, abismados, perguntamo-nos porque é que as coisas acontecem. Mas, ao que parece, esquecemo-nos de que nunca ninguém tem uma vida tão perfeita assim - por mais amigos que tenha, por mais feliz que possa parecer. Todos, sem exceção, carregamos às costas um passado que nos trás medos, receios e incertezas. Uns sabem lidar com isso, outros ainda estão a aprender.
E outros escondem-no por trás das coisas boas. Têm a perspicácia de atenuar os seus problemas em prol dos problemas dos outros. E, se pensarmos bem, enquanto pensamos de que forma podemos ajudar outro alguém, acabamos por nos esquecer daquilo que nos atormenta, para dar lugar àquilo que atormenta o outro. Talvez isso seja uma estratégia pouco criativa, talvez até não leve a lugar algum. Mas ajuda. Estejam atentos aos mais pequenos detalhes. Eles dizem tudo.
Sem comentários:
Enviar um comentário