sábado, 28 de outubro de 2017

Overthinking.

Não sei porquê, mas sinto que algo está diferente. Provavelmente sou apenas eu e as minhas manias. Deverá ser só mais uma fase. Daquelas pelas quais uma pessoa como eu passa a toda a hora. Isto de não saber como vou acordar no dia a seguir é muito estranho, muito incerto. Mas eu sou mesmo assim - complicada e com um fuso horário sempre trocado. Talvez tenha muita coisa em mente e isso me faça ver as coisas com menos clareza. Talvez as minhas dúvidas e as minhas incertezas sejam fruto da falta de descanso e de tempo para mim. Mas isso está quase a mudar. Não tarda terei uma semaninha livre de trabalhos, exames, complicações, e poderei aliviar esta cabeça do turbilhão de emoções em que se encontra. Está quase. Pensamento positivo. Sempre.

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Um dia que acordou cinzento.

O dia nasceu cinzento, o sol não marca a sua presença e tudo o que se sente é o fumo que ficou de uma das piores noites de sempre. Foi assustador, avassalador. Pensar no que poderia ter sido, nos poucos minutos que nos afastavam das chamas e, ainda, viver na angústia de quem não sabe o que se passa com os seus. 
Portugal está revestido sob um manto negro - hoje tudo é cinza, tudo é tristeza. E eu não podia estar mais triste. Agora, segura, olho pela janela e tudo o que vejo é o fumo que marca a história das vidas que, ontem, se perderam. Como é que é suposto vivermos com isto? Como é que é suposto vermos o nosso mundo a deteriorar-se aos poucos e, na nossa impotência, não sermos capazes de fazer nada? Quero voltar para os meus, quero que me digam que não passou de um sonho mau. Mas nem há rua podemos sair... era assim que imaginavam o fim do mundo?

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

O melhor que a praxe nos pode dar.

Surpreendentemente, acabo de receber um pedido de apadrinhamento. Esta semana não estava a ser fácil, mas tornou-se melhor quando ela me bateu à porta do quarto e, envergonhada, me perguntou se eu queria ser madrinha dela. Eu fiquei sem palavras. Não esperava, de todo, mas, lá no fundo, sempre me senti muito conectada a ela. Temos uma ligação que não sei explicar. Ainda não nos conhecemos bem, mas temos imensa coisa em comum e eu estou a adorar conhecer aquela rapariga que, imaginem, é de Braga! Poderia ser melhor?
Espero ser um bom exemplo para ela, espero trazer-lhe tantas coisas boas como a minha madrinha me trouxe e espero, ainda, ser capaz de a deixar orgulhosa.
O meu percurso académico acabou de ser tornar ainda melhor, e eu espero que o dela seja tão bom ou melhor que o meu.

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Fazem-me falta.

Hoje está a ser mais um dia daqueles. Um daqueles dias quentes mas que sabem a frio. Custou sair da cama. A cabeça pesava como se a noite anterior de uma festa se tratasse. 
Não sei porque razão, mas, de vez em quando, tenho dias assim - em que sinto falta de tudo, quero estar sozinha, no meu canto, com as minhas coisas, no meu mundo. Sei que penso demasiado, mas isso faz parte de mim e eu não consigo fazê-lo com pessoas ao meu redor. Parte de mim deve ter medo que percebam o que vai cá dentro. 
Neste momento já não estou sozinha - é a vida de quem estuda longe de casa. E, bem lá no fundo, tenho que admitir que o facto de não estar sozinha até me faz bem, pelo menos ajo de forma mais normal um bocado.
Mas só queria voltar, estar junto dos que amo, ter o apoio e carinho deles bem perto de mim. Não gosto da minha versão nostálgica, lamechas... fico estranha. Mas a verdade é que sou muito ligada aos meus, e é tão estranho estar longe. Não precisava de muito, só dos abraços deles, daqueles olhares que trazem conforto.
O Hugo sabe sempre como agira para me fazer sentir melhor, e eu sinto tanto a falta dele. Espero que amanhã acorde com mais energia, com mais vontade. Espero voltar a ser a pessoa que sempre fui.

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Um dia, vou ser a enfermeira mais orgulhosa.

Quando estudas enfermagem, tendencialmente, és bombardeada com a pergunta "porque é que não foste para medicina?", e, devo dizer, custa. Mas o que custa não é a circunstância em si, é a mente retrógrada das pessoas que fazem perguntas assim, muitas vezes inconscientes.
Apesar de serem duas profissões da área da saúde, que vão à vante porque uma depende da outra, são profissões distintas. Funções distintas, normas distintas, horários distintos, entregas distintas. Ambas se baseiam no amor e no carinho que é necessário fornecer ao outro, mas de forma tão diferente.
Hoje, orgulho-me imenso de mim e do percurso que escolhi. Enfermagem é uma ciência autónoma, autodidata, que depende em muito da medicina, claro que sim. Precisamos de um diagnóstico médico para poder cuidar, estar junto, apoiar, trazer de volta a qualidade de vida que aquela pessoa merece. E isso somos nós que fazemos. A entrega é nossa, dos bons profissionais de saúde. 
E, ainda enraizado na nossa sociedade, está a ideia de que os enfermeiros servem para dar injeções e fazer pensos. Choca-me tanto quando me apercebo desta visão nada alargada dos factos. Infelizmente, ainda não me ouvem (ou não querem ouvir) muito. Ainda acham que nós pouco fazemos. E eu tento explicar, mas há algumas cabeças ocas por aí que não fazem o mínimo esforço para perceber. E entristece-me. É que a enfermagem está numa luta constante pelos direitos a que tem direito. Não somos só deveres, horas a mais, pagamentos em atraso. Não andamos 4 anos a aprender, a assimilar conteúdos médicos que nem sequer podemos pôr em prática, mas que somos obrigados a saber, para nada. Não temos o conhecimento necessário até precisarem de nós. Até ter de ser um de nós a agir, porque, nesse momento, já podemos conhecer tudo e mais alguma coisa. E essa mentalidade tem de acabar. Se isso não acontecer, a emigração vai continuar a ser um ponto forte. Porque queremos ser reconhecidos, valorizados pelo nosso esforço e dedicação. 
Espero que as coisas mudem, não só o país, a política, a legislação, mas também os próprios enfermeiros - aqueles que vivem frustrados e se esquecem que, na hora de cuidar do outro, os nossos problemas devem ficar do lado de fora da porta.
Esforcem-se por fazer aquilo que amam, lutem pela mudança e sejam felizes.

domingo, 1 de outubro de 2017

Atrás dos problemas dos outros.

Acho que, quando quando se atinge certo limite, aprendemos a desenvolver uma defesa tal, que somos capazes de esconder qualquer coisa. E pensam que está tudo bem, o trabalho corre bem, as notas são boas, ela sorri imenso e está sempre a dizer piadas. 
Mas as coisas acontecem e, de repente, toda a gente se pergunta porquê.
Aquela que parecia ser uma vida cheia de coisas boas, afinal, não era assim tão boa. Ela era boa a esconder os problemas, não a livrar-se deles.
É que perdemos demasiado tempo a falar da vida alheia, a criticá-la e a julgá-la, mas, na verdade, não sabemos o que se passa atrás de cada porta. Não sabemos o que acontece depois de cada "até amanhã". Sabemos tão pouco, e falamos tanto. Depois, abismados, perguntamo-nos porque é que as coisas acontecem. Mas, ao que parece, esquecemo-nos de que nunca ninguém tem uma vida tão perfeita assim - por mais amigos que tenha, por mais feliz que possa parecer. Todos, sem exceção,  carregamos às costas um passado que nos trás medos, receios e incertezas. Uns sabem lidar com isso, outros ainda estão a aprender.
E outros escondem-no por trás das coisas boas. Têm a perspicácia de atenuar os seus problemas em prol dos problemas dos outros. E, se pensarmos bem, enquanto pensamos de que forma podemos ajudar outro alguém, acabamos por nos esquecer daquilo que nos atormenta, para dar lugar àquilo que atormenta o outro. Talvez isso seja uma estratégia pouco criativa, talvez até não leve a lugar algum. Mas ajuda. Estejam atentos aos mais pequenos detalhes. Eles dizem tudo.

Ele é a minha casa.

Que difícil é termos de nos despedir da pessoa que nos faz acordar com mais força todas as manhãs. Cada vez mais tenho a certeza de que é...