Confesso que, por vezes, a vida prega-nos tantas partidas que a vontade que sobressai é a de gritar aos sete ventos tudo aquilo que nos faz sentir mal. É desabafar com o mundo e esperar que, em parte, ele nos retribua algum conselho ou, pelo menos, partilhe um pouco dessa nossa dor, para não nos sentirmos tão sós.
No entanto, tenho vindo a aprender que, enquanto não nos adaptar-mos a nós e às nossas próprias circunstâncias, as coisas vão continuar a parecer levar o rumo errado. Temos de aprender a tirar proveito das mais pequenas coisas, daquelas que parecem monótonas. E temos de deixar, por outro lado, de atribuir tanto valor a coisas irrisórias, que em nada mudam o percurso da nossa curta passagem pela vida.
Porque é que perdemos tanto tempo a falar sobre o que está mal? Ou a atentar sobre os erros que os outros cometem? Porque é que perdemos tanto tempo a falar da vida alheia? Afinal, o que é que cada um de nós valoriza de verdade?
Se tem a ver com o risco que te fizeram no carro, com o "gosto" que não colocaram na tua publicação, com o facto de a internet não ter tão bom sinal como nos outros dias, ou até com o facto de seres obrigado a comer a comida fria, naquele dia, pela correria do quotidiano... então estamos mal. Estamos muito mal. Paremos de atribuir importância ao que não é, realmente, importante. Devemos dar lugar ao que nos faz bem de verdade: à família, ao amor, à aprendizagem, aos amigos, àquilo que fazemos pela nossa própria pessoa. E, quando as coisas não estiverem tão bem, depois de chorarmos (porque chorar também faz falta para o nosso desenvolvimento) devemos ser capazes de nos levantar, de arranjar estratégias para ultrapassar determinado obstáculo, e de crescer com isso, sem levar no peito a mágoa e a frustração de algum acontecimento marcante. Que carreguemos lições ao invés de dor. E que nos saibamos, sempre, adaptar às novas circunstâncias de forma saudável.

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