domingo, 30 de julho de 2017

A depressão também é um vício.

A depressão também é um vício e, como tal, não é fácil para alguém livrar-se dela. Quando, finalmente, a vida te dá aquela boa sensação de que tudo passou... voltas, não à estaca zero, mas aproximas-te bastante dela.
Há algo em ti que faz com que te retraias da sociedade, há algo que faz com que seja incrivelmente difícil sair de casa ou arranjar forças para sair do aconchego da cama. A depressão faz com que te sintas presa ao teu próprio corpo e não deixa que a tua mente se liberte de pensamentos menos bons. No entanto, lá no fundo, tu sabes perfeitamente que essa não és tu. Tens a força e a garra necessárias para seguir em frente, enches-te de determinação mas, infelizmente, ainda há algo que te faz recuar. E é sempre assim. Vamos vivendo um dia de cada vez, uns melhores do que outros. Muitas das vezes, dá-mos um passo para a frente e dois para trás. Mas, aos poucos, vamos chegando lá.
Estou muito orgulhosa do percurso que fiz até aqui. Sinto que me estou a tornar na mulher que sempre ansiei ser. Mas a vida continua a pregar partidas e o corpo continua a cair nelas. Basta que fique dois dias em casa, praticamente sozinha e com uma rotina monótona para que tudo volte a desmoronar de novo. Tenho tentado sair de casa, passear, caminhar, espairecer, mas a verdade é que me tenho sentido sozinha. E tenho estado sozinha. Não psicologicamente, mas fisicamente. Por muito que tente ser forte, mais uma vez, quando me vejo assim, simplesmente não sou capaz. E tenho muita pena da falta de energia que demonstro, da falta de vontade em ver, estar e ser gente. Dói-me. É que, com ou sem sintomas da doença, continuamos lúcidos. Lá no fundo, sabemos quem somos e quem queremos ser. Mas eu dou muita importância ao estar e, por muito que as circunstâncias da vida nos façam "não estar", porque tem de ser, custa, e eu não sei, ainda, viver assim. Mas vou aprender a saber. Vou aprendendo que tenho de amar o meu alguém para comigo antes de amar o meu alguém para com outro alguém.
Vai ficar tudo bem. E tu, Hugo, volta rápido que eu continuo a precisar do teu abraço.

domingo, 23 de julho de 2017

Os grandes amores pertencem à vida real.

Vejo gente, de toda a parte, a trocar o mundo real pelo virtual e, por vezes, pergunto-me o que terá essa virtualidade de tão positivo que nos faça esquecer que, de facto, há um mundo para além disso?

A internet pode ser um refúgio, o local onde podemos ser nós mesmos, longe dos olhares maliciosos e das críticas alheias, o local onde podemos escrever sobre o que realmente sentimos e ser quem, verdadeiramente, queremos ser. No entanto, a internet é apenas a internet, não é o mundo em que vivemos. As boas amizades podem, sim, provir de internet, de redes sociais, mas só se cultivam lá fora, na vida, no dia-a-dia. O mesmo acontece com os grandes amores: não podemos esperar que, simplesmente, nos surja uma notificação graciosa, muito menos ansiar por esse momento. Podemos, pelo contrário, aprender a gostar de nós como somos e a acreditar que não temos de nos refugiar do mundo se é nele que queremos viver, e é com ele que pretendemos criar boas memórias. Se pretendemos grandes conquistas, então devemos objetivar grandes feitos. 
Temos de sair à rua, de ir àquele cafézinho bom do centro, de visitar aqueles amigos que já não vemos há algum tempo, de usufruir daquela boa refeição, de abraçar quem nos faz sorrir, de caminhar junto ao mar, sei lá, podemos fazer tanto por nós mesmos. Precisamos de aproveitar todas as coisas que o mundo nos oferece, pois só assim podemos encontrar a realidade e tudo o que com ela advém. 
As redes sociais podem ter muita coisa de bom, mas nunca serão capazes de viver a tua vida por ti e, muito menos, de fazê-la valer a pena. 

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Ele... é ele.

É humanamente impossível descrever aquilo que me fazes sentir. Não consigo, sequer, pensar numa forma plausível para descrever a segurança que me transmites. Não quero que isto se assemelhe a um daqueles capítulos precisos e concisos acerca daquilo que o amor nos faz sentir. Não quero de todo... porque são esses mesmos capítulos que nos fazem sentir como se tudo fosse perfeito. E não é. Tudo aquilo que o amor envolve está longe de ser perfeito. Pelo menos aos olhos da sociedade ou do conceito de perfeição que esta criou.
O melhor daquilo que sentimos, é que é fundado numa enorme amizade. Há um gesto de carinho e um sentido de proteção enorme que acompanha todas as nossas ações um para com o outro.
Foi ao lado dele que fui capaz de superar uma das fases mais negras da minha vida. Vou subindo mais um degrau, todos os dias, em prol de um caminho melhor
Ele é capaz de olhar nos meus olhos e perceber o que me incomoda, mesmo que eu não tenha forças para dizer o que quer que seja. Ele conhece os monstros que moram debaixo da minha cama e, principalmente, aqueles que habitam no meu subconsciente. Mas ele, ao contrário do que eu esperava, não me deixa sozinha com eles. Dá-me um daqueles abraços grandes, de todas as vezes, e promete-me, sempre, que eu não vou estar sozinha. E acreditem que, às vezes, eu sou a pior companhia do mundo. Mas ele compreende-me melhor que eu mesma, e dá-me oportunidades que eu nunca me ousei dar. 
Deixei de ter medo daquilo que poderia fazer. Deixei de pensar no que poderia ser ou no que poderia ter sido. Passei a ter um olhar mais atento sobre o presente e aquilo que ele me dá. Já não deixo, tantas vezes como antes, uma luzinha acesa no fundo do quarto. Aos poucos começo a assistir a realidades parecidas com as minhas, e confesso que ainda tenho medo das coisas que isso me faz recordar, mas vejo. Vejo porque é importante e porque também crescemos com o crescimento dos outros. Deixei de ter medo de chorar sem razão alguma. É que, com ele, tenho a oportunidade de não ter de dizer absolutamente nada. Ele não me exige uma explicação. Não me julga. Não critica as lágrimas sem sentido e fornece-me o espaço de que preciso para fazê-las secar.
Temos uma ligação inigualável, uma ligação que eu não sou capaz de explicar. Somos cúmplices das partidas que a vida, de vez em quando, nos prega. Mas ultrapassámo-las em conjunto.
Só espero que a ligação seja suficientemente forte para que possamos viver muitos momentos juntos. Sei que aquilo pelo que passamos nos tornou mais fortes, mais unidos, e, às vezes, é difícil descolar um do outro. Mas, aos poucos, vou aprendendo a não ter medo de voar sozinha. E agradeço-lhe, do fundo do coração, por me incentivar todos os dias a ter vontade de continuar.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Algumas cicatrizes ficam para sempre.


Embora o tempo passe e, apesar da partida de algumas pessoas ou do apagar de alguns obstáculos, algumas feridas continuam a cicatrizar. Ainda há um pequeno vazio ao lembrar. Talvez haja sempre. Por muito que me considere uma pessoa feliz, com um milhão de razões para sorrir, uma parte de mim já bateu lá no fundo, e permaneceu no mesmo local por muito tempo. Ainda me dói quando me recordo. Tento sorrir disfarçadamente como se me fosse indiferente, mas não é. A ferida está lá, levaram um pouco de mim quando me mentiram, me humilharam, e me fizeram acreditar que tudo estaria melhor se eu não existisse. Eu sei que nunca vou ser capaz de recuperar esse pedaço de mim que perdi. Mas, aos poucos, estou a reconstruir-me, e esse vazio que encontro é a desculpa para não cometer os mesmos erros do passado, para fazer melhor e ser mais forte desta vez. Desta vez e sempre. Não vou fracassar quando me aparecerem obstáculos semelhantes, não agora. Não sei que rumo teria levado a minha vida se as pessoas certas não tivessem sido colocadas no meu caminho, sei apenas que nada acontece por acaso. E hoje sou uma pessoa mais forte. Uma pessoa que ainda chora ao sentir as cicatrizes do passado ou as dores que vivi em tempos. Mas, sem dúvida, uma pessoa mais forte, com um escudo muito diferente de outrora.

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Quando a imaginação falha.

Há dias em que a imaginação falha. E eu tenho tido muitos desses dias ultimamente. Tenho uma vontade enorme de escrever, e quero fazê-lo sobre imensas coisas. O problema é que tenho demasiadas ideias em mente, demasiada vontade de expressar a minha opinião. É que este é o melhor sítio para sermos nós mesmos. E é aqui que eu me sinto bem a escrever, a deitar tudo cá para fora. Sabe bem e faz bem. Mas, a verdade, é que na hora de escrever, parece que as coisas deixam de fazer sentido no papel. A caneta leva outro rumo e sinto que nada do que tenho a dizer irá interessar a alguém. Por isso paro, apago, volto a escrever e apago de novo.
Pode ser que estas férias me tragam uma inspiração maior e melhor. Vamos ver.

Ele é a minha casa.

Que difícil é termos de nos despedir da pessoa que nos faz acordar com mais força todas as manhãs. Cada vez mais tenho a certeza de que é...