A depressão também é um vício e, como tal, não é fácil para alguém livrar-se dela. Quando, finalmente, a vida te dá aquela boa sensação de que tudo passou... voltas, não à estaca zero, mas aproximas-te bastante dela.
Há algo em ti que faz com que te retraias da sociedade, há algo que faz com que seja incrivelmente difícil sair de casa ou arranjar forças para sair do aconchego da cama. A depressão faz com que te sintas presa ao teu próprio corpo e não deixa que a tua mente se liberte de pensamentos menos bons. No entanto, lá no fundo, tu sabes perfeitamente que essa não és tu. Tens a força e a garra necessárias para seguir em frente, enches-te de determinação mas, infelizmente, ainda há algo que te faz recuar. E é sempre assim. Vamos vivendo um dia de cada vez, uns melhores do que outros. Muitas das vezes, dá-mos um passo para a frente e dois para trás. Mas, aos poucos, vamos chegando lá.
Estou muito orgulhosa do percurso que fiz até aqui. Sinto que me estou a tornar na mulher que sempre ansiei ser. Mas a vida continua a pregar partidas e o corpo continua a cair nelas. Basta que fique dois dias em casa, praticamente sozinha e com uma rotina monótona para que tudo volte a desmoronar de novo. Tenho tentado sair de casa, passear, caminhar, espairecer, mas a verdade é que me tenho sentido sozinha. E tenho estado sozinha. Não psicologicamente, mas fisicamente. Por muito que tente ser forte, mais uma vez, quando me vejo assim, simplesmente não sou capaz. E tenho muita pena da falta de energia que demonstro, da falta de vontade em ver, estar e ser gente. Dói-me. É que, com ou sem sintomas da doença, continuamos lúcidos. Lá no fundo, sabemos quem somos e quem queremos ser. Mas eu dou muita importância ao estar e, por muito que as circunstâncias da vida nos façam "não estar", porque tem de ser, custa, e eu não sei, ainda, viver assim. Mas vou aprender a saber. Vou aprendendo que tenho de amar o meu alguém para comigo antes de amar o meu alguém para com outro alguém.
Vai ficar tudo bem. E tu, Hugo, volta rápido que eu continuo a precisar do teu abraço.


