segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Hoje, vim relembrar que estou aqui.

Podemos não falar à algum tempo, podemos até nem ser amigos. Podemos ser meros conhecidos, daqueles que se apanham de vez em quando na rua. Podemos já nos ter cruzado por aí - num local de trabalho, na escola, numa pastelaria, na fila de algum lugar. Mas, hoje, quero relembrar, a quem quer que seja, que sofrer sozinho não é, nem nunca será, solução. Se precisarem de um ouvido, eu estou aqui para escutar. Se precisarem de desabafar, eu vou tentar dar os melhores conselhos que guardo, ou então farei silêncio .
Espero que os meus amigos saibam que, apesar da distância toda que nos separa, dos quilómetros todos que faço todos os fins de semana, das palavras que, às vezes, ficam por dizer e dos abraços que ainda não demos - eu estou aqui. Estou aqui à distância de uma chamada, de uma mensagem ou de um soar de campainha. Não abandono os meus, nem qualquer outro que precise de ajuda. Sejam sinceros, sejam fortes o suficiente para pedir ajuda e jamais temam pelo que possam ouvir. Ninguém tem o direito de julgar outro alguém, mas todos temos o dever de prestar auxílio - por nós mesmos e pelos outros também. Por isso, se algum dia acharem que não sorriram o suficiente, falem, gritem, chamem, mas não se deixem apagar pela solidão da vossa própria sombra.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Quando as saudades apertam.


Às vezes, as saudades apertam tanto que nos esquecemos que ainda tempos alguns dias pela frente. E hoje é um desses dias, em que a saudade aperta e tudo parece que ficaria melhor se eu estivesse noutro lugar. Eu estou bem, sinto-me bem como estou... são só saudades. Hoje a minha avó faz anos, e está internada. Tem sido duro vê-la sofrer à tanto tempo consecutivo mas, hoje, um dia especial para ela, sei que deve estar a ser pior ainda - e eu gostaria de lá estar, de dar-lhe um beijinho, de lhe desejar feliz aniversário, gostaria de lá estar para a confortar e dizer que vai ficar tudo bem.
E talvez eu esteja carente, com necessidade dos meus, têm sido tantas coisas ao mesmo tempo. Mas eu sei que o tempo, esse, cura tudo. E eu estou aqui para ultrapassar o que der e vier.

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Mas amanhã é um novo dia.

Custa-me tanto não te ter por perto. É difícil ter de pensar que, quando chegar a casa, não vais estar aqui para me ouvires falar do meu dia, dos meus doentes, daquilo que fiz, que aprendi e daquilo que não sabia. E eu sei que isto é apenas uma fase. Sei que estou a lutar por mim e que estou a fazer isto pelo meu futuro... eu sei. Mas, no entanto, há semanas que parecem meses. E os telefonemas não substituem conversas reais. E ninguém sabe enquanto não sente. Ninguém imagina o que custa estar sozinha, numa outra cidade, quando sabemos que precisam de nós no nosso lugar. Passamos a ter a cabeça em muitos sítios ao mesmo tempo, e isso só nos prejudica. Talvez ande carente. Ando carente porque o estágio tem sido desgastante, não me sobra tempo para mais nada e os fins de semana, esses, passam num abrir e fechar de olhos, sempre com mil e uma coisas para fazer.
E eu tenho saudades dele, porque ele é o melhor do mundo e eu não sei viver sem o ter por perto.
Mas amanhã é um novo dia, e eu vou acordar com mais energia e mais vontade, tenho a certeza.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

A semana mais dura e mais gratificante da minha vida.

Tem sido uma semana verdadeiramente dura e desgastante. Estar 8 horas em pé, com mil e uma coisas na cabeça não tem sido tarefa fácil. Alguns dos nossos orientadores não perdem uma oportunidade para nos ver errar. Outros, mais raros, estão realmente lá para nos ensinar e nos tornarem bons profissionais.
Mas, no meio disto tudo, há uma coisa que fica: por muitos problemas que tenhamos na nossa vida fora do hospital, quando lá chagamos, tudo muda. Colocamos imediatamente um sorriso no rosto... porque não estamos lá por nós, mas sim pelas pessoas que se lá encontram - sozinhas, longe da família e, muitas vezes, em sofrimento. Apesar de toda a luta e de tudo aquilo que ainda me espera, não poderia querer outra coisa. Espero apenas ser forte o suficiente para aturar enfermeiros mal formados e tornar-me num exemplo a seguir.
Façam o que vos faz feliz, e sorriam muito.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Chegou o tão temido estágio.

 E o grande dia já se passou. É certo que a verdadeira experiência começa amanhã, mas hoje já obtivemos um bom exemplo daquilo que nos espera. Basicamente, hoje tivemos oportunidade de conhecer os nossos orientadores e o serviço no qual vamos estagiar. Foi muita informação ao mesmo tempo, mas eu sei que vamos conseguir... afinal, toda a gente consegue, não é assim?
Amanhã começaremos a sério, vão dar início à chuva de perguntas e nós vamos ter uma experiência incrível ao lidar com doentes reais, com situações que realmente existem e estão à nossa frente. Passei o dia a bocejar, cheia de sono, e ainda não fizemos nada de mais... nem sei como será o fim desta semana, mas certamente que hibernarei o fim de semana inteiro ou, pelo menos, será essa a minha vontade.
E sim, já estou cheia de saudades de casa... mas otimista para esta semana, só quero que passe rápido. Beijinhos e tenham uma ótima noite - descansem, desfrutem, façam algo que vos faça sorrir.

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Como o prometido é devido, aqui fica a viagem de sonho.

Não sei bem por onde começar, mas vou tentar ser o mais explícita possível para que percebam o quanto adorei esta experiencia.
Para os que me conhecem, o facto de eu querer fazer esta viagem nunca foi desconhecido, Inglaterra sempre me encantou. E esta foi, sem dúvida, uma das melhores semanas da minha vida. Tudo superou as minhas expectativas.
Inicialmente, pelo que me contavam, tinha a ideia de que os ingleses eram pessoas mais frias, encobridas pelo stress do dia-a-dia, o que os fazia desperceber do mundo à sua volta - estava totalmente errada. Foram todos extremamente afáveis, pediam desculpa por tudo e por nada e agradeciam da mesma forma. Os mais idosos olham para nós na rua e sorriam... o que, sem dúvida, me aquecia a alma. Venho completamente encantada. O ponto forte, como era de esperar, foi a visita a Londres - 2 dos dias foram para visitar Londres. Foi muito melhor do que aquilo que imaginava, aquelas ruas transbordam história, havia memoriais em todos os cantos, saudações a pessoas que já partiram e notava-se um carinho enorme por aqueles que fazem o país crescer. As ruas tinham vida! Quando anoitecia, por volta das 17 horas, tudo se iluminava e se tornava ainda melhor. Adorei cada canto daquela cidade - o Big Ben, a Tower Bridge, o Piccadily, o Buckingham Palace, o museu... tudo! A cidade é mesmo bonita, e, para cada lado que olhássemos, via-mos pessoas a correr, jovens a passear e a desfrutar de momentos com amigos. Parámos algumas vezes em cafés, porque o frio que se fazia sentir lá fora era mesmo desgastante. Obrigaram-nos a falar inglês e confesso que isso foi ótimo para nós. E sabem o melhor? Para cada lado que fôssemos, quer fosse para almoçar, tomar o pequeno almoço ou beber um chá quente, haviam sempre opções sem glúten... claro que fiquei encantada!
A vila onde ficámos, ainda desviada cerca de uma hora de Londres, chama-se Bury St Edmunds, é onde mora a irmã do Hugo, com o namorado. Tenho a dizer que aquela pequena vila é maravilhosa. Mais uma vez, coberta de pessoas carinhosas, que nos faziam sentir bem. As casas eram super aconchegantes e havia parques em todo o lado... com esquilos amorosos!
Visitamos, também, uma praia nos dos dias. Escusado será dizer que estava um frio apavoroso, mas foi muito interessante ver a diferença das praias relativamente às nossas. Não havia areia, só jogas, e eram imensas as pessoas que andavam por lá a passear e a treinar os seus cães - foi mesmo giro.
No sábado, o nosso último dia, visitamos Cambridge, outro local que sempre quis visitar. Não era, de todo, o que eu imaginava, mas isso não significa que tenha sido mau... pelo contrário! Imaginava um local mais à Harry Potter, cheio de grandes edifícios e montes de turistas. Aquilo que encontrei foi um local também cheio de vida, mas mais acolhedor do que pensava - muitos espaços verdes, animais, universidades, pequenos barcos, mais memoriais, edifícios cobertos de história e, sim, turistas, muitos turistas.
Aquilo que mais me deixou pena em toda esta viagem, foi o facto de não ter por perto a minha família, eu sabia que eles iam adorar estar lá comigo. Foram semanas mágicas! O meu irmão e o meu pai teriam adorado Londres, todas aquelas atrações e lojas engraçadas, o meu irmão ter-se-ia fartado de tirar selfies na neve, a minha mãe teria adorado  todas as paisagens, e a Cat teria delirado comigo o tempo todo - na confusão do metro, nos lanches bons e nos passeios em si.
No entanto, tive a oportunidade de passar tempo com o meu amor, coisa que não acontecia à imenso tempo, e tivemos oportunidade de conversar os dois, de pensar no futuro e de criar novos sonhos juntos. Adorei cada momento passado em casa também - deu para matar saudades, para fazer jogos engraçados, para ver filmes e reclamar dos seus finais estúpidos, para cozinharmos todos juntos e para nos empanturrarmos de brownies sem glúten (sim, venho com mais borbulhas). Adorei ouvir e falar ingles, senti-me realmente bem. Delirei, principalmente, com a neve. Parecia uma criança, completamente cheia de frio (apesar de parecer um pneu Michelin com a quantidade de roupa que tinha), mas sempre na rua a tentar apanhar os flocos que caiam. É um mundo à parte mas com o qual eu me identifiquei completamente - até porque, tal como eu um dia serei, a Alexandra (irmã do meu namorado) e o Bruno são enfermeiros, pelo que também passamos grande parte do tempo a falar do hospital, das oportunidades que eles tiveram, e das escolhas que se viram obrigados a fazer. Aconselho vivamente a todos esta experiencia, desde que saibam planear as coisas com tempo e com vontade, que desfrutem com os que mais amam e que sejam felizes. Assim que conseguir, deixo aqui umas quantas fotos para vocês - sim, porque com um namorado fotógrafo, há sempre imensas fotos para qualquer sítio que vão.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

A viver um sonho.

E cá estou eu - a viver o sonho. Estes dias têm sido fantásticos - lazer, passeios, memórias, histórias, sonhos e um cansaço daqueles que sabem bem. Muitas coisas não são como eu imaginava e outras, sem dúvida, estão a superar as expectativas. Prometo deixar por aqui todos os detalhes quando voltar para o meu cantinho, incluindo os sonhos que voltei a criar nos flocos de neve, tal como as crianças fazem. Espero que estejam a desfrutar de cada momento dos vossos dias, só assim vale a pena. Sejam felizes!  ❤

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Ainda não estou em mim.

É verdade, ainda não acredito. Amanhã farei a viagem com a qual sonho à imenso tempo, e parece que não estou ciente disso. Acho que só estarei quando colocar os pés no aeroporto e disser: "wow, desta é a sério!".
Estou verdadeiramente feliz, ainda que não seja muito boa a demonstrar isso, eu estou. Tenho estado cansada, desgastada e talvez não passe para os outros o entusiasmo que sinto, mas estou realmente feliz e realizada. Vou estar com o meu pequeno, o meu mais que tudo. E vocês não têm ideia do quanto eu amo aquele rapaz e daquilo que eu seria capaz de fazer para o ver sorrir. E estou contente também por ele, está cheio de saudades da irmã e, finalmente, vamos poder estar todos juntos outra vez. De vez em quando, uma luzinha bate por estes lados e parece que nada disto é verdade - de repente, surgiu o amor na minha vida, de uma forma sobre a qual eu já não acreditava... e, também de repente, já se passaram dois anos e continuamos a crescer juntos. Devo tanto àquele miúdo. Só espero que a vida não nos pregue partidas e que saibamos aproveitar cada momento. Quando voltar, terei todo um mundo novo à minha espera mas, agora, não quero pensar nisso. Agora vou ser feliz e, quando voltar, continuarei a fazê-lo.

Ele é a minha casa.

Que difícil é termos de nos despedir da pessoa que nos faz acordar com mais força todas as manhãs. Cada vez mais tenho a certeza de que é...