domingo, 4 de novembro de 2018

Ele é a minha casa.

Que difícil é termos de nos despedir da pessoa que nos faz acordar com mais força todas as manhãs. Cada vez mais tenho a certeza de que é ele a minha casa. A minha sorte grande. Faz de mim uma miúda tão parva, mas tão feliz. Daquelas que eu nunca pensei que seria, na verdade. 
É incrível como tudo é mais fácil quando estamos juntos. Não sei explicar, mas ele tem uma forma única de me tranquilizar, de me acalmar e de dizer "calma, eu sei que tu consegues" que me deixa, de todas as vezes, sem palavras.
Parte de mim sente um vazio quando ele sai, ou quando, aos domingos, lhe dou o último abraço da semana (o meu coração fica mesmo apertadinho). No entanto, a outra parte de mim sabe tão bem a sorte que tem, e agradece por isso do fundo do coração. Todos os dias. 
Não espero que o mundo entenda, nem que nos veja dependentes um do outro. Não somos. Estamos a crescer juntos. Ele chegou num momento bastante importante da minha vida, talvez aquele em que eu mais precisava dele, e isso tornou-nos muito próximos. Mas continuamos a ser duas pessoas diferentes em vários aspetos. Por vezes, como em todas as relações, desentendemo-nos. É que é sempre mais fácil desabafar com quem está perto, com quem ouve, e às vezes acabamos por descarregar nessas pessoas... depois sai tudo ao lado. Mas tenho tanto orgulho em nós e na forma como nos respeitamos um ao outro. É bom sentir que a outra pessoa para um pouco para te ouvir, mesmo que a sua opinião não vá ao encontro da tua. E nós prometemos, sempre, que, de todas as vezes, antes de ficarmos aborrecidos com alguma situação, vamos escutar. E vamos dar a nossa opinião sempre que o outro quiser ouvir. E é assim que tem de ser. É isso que faz com que a maior parte do tempo seja a rir. Sim, porque somos duas criaturas que só dizem barbaridades. E somos felizes assim mesmo.
És a minha casa. O meu porto de abrigo. Obrigada por me dares tanta força nestes momentos em que parece que o mundo está a desmoronar em cima de mim. És o melhor do mundo.

sábado, 27 de outubro de 2018

Desistir.

Não sou, de todo, pessoa de desistir. Sou de lutas e, quando desejo muito determinada coisa, esforço-me para a alcançar.  No entanto, tenho-me apercebido que algumas lutas não merecem o nosso esforço. Quando te deixa sem dormir, sem vontade ou sem forças, é sinal que algo não está tão bem. É sinal que deves parar, reavaliar e, com isso, perceber o que te faz mal e tentar mudar isso. Foi o que fiz. Desisti de algo que já só me causava stress, para dar lugar a algo melhor, que eu sei que há de vir. Se não for agora será mais tarde. Neste momento, tenho de tratar de mim, de arregaçar as mangas e de voltar a ser a pessoa que sempre fui - mais forte do que imagino. Que eu não desista, nunca, de mim.

domingo, 14 de outubro de 2018

Um turbilhão de emoções.

Estas duas últimas semanas têm-se destacado quanto às emoções. O último ano trouxe consigo muito trabalho (quando eu já achava que o anterior não era pouco), muito esforço, algumas divergências, muita vontade de uns e pouca de outros, o que, às vezes, nos faz bater de frente com a opinião do outro. Não tem sido fácil. Voltar à rotina das viagens longas, das semanas que demoram a passar, e das tarde de estudo que, contraditoriamente, passam a voar e me deixam com a sensação de que renderam pouco.
A vida continua, incrivelmente, a surpreender-me com a maldade, talvez inconsciente, dos outros. As pessoas, por muito que eu deseje pensar o contrário, acabam sempre por ver apenas o seu umbigo. Fazem pouco e querem sempre muito. Dão pouco de si e exigem tanto dos outros. Eu gostava de lhes abrir um pouco os olhos, para o bem deles e para o bem do mundo que os rodeia. Mas, às vezes, perco a paciência. E, ultimamente, tenho perdido muito a paciência. Opto por ficar na minha zona de conforto, ou digo tudo ou não digo nada. Prefiro ficar sozinha a ter de explicar pontos de vistas a quem não os tenta, sequer perceber.
Mas isso não me tem feito bem. Tenho receio de vir a gostar mais de estar sozinha do que tudo o resto. No passado, isso não correu tão bem.
Mas agora só quero estar bem, dormir uma noite tranquila, em paz, e na certeza de que amanhã será um dia melhor. Porque vai ser.

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Último ano, resoluções para a vida toda.

Sou finalista. E parte de mim ainda nem acredita. Que bom que é ver tão perto o realizar de um sonho.
Este ano tenho um grande objetivo: manter-me longe de dramas. Bem longe, aliás. Na verdade, há tanta coisa que eu gostava de dizer a tanta gente. Mas, quando paro para pensar, percebo que isso não vai mudar nada e até pode, pelo contrário, piorar algumas situações. Por essa razão, decidi ser mais forte e deixar algumas coisas no passado. Quero aproveitar ao máximo o meu último ano académico. Não sei o que a vida me reserva, mas sei que os tempos de licenciatura em enfermagem não voltam, por isso quero tirar o melhor proveito e aprender com os melhores, todos os dias.
Durante estas férias, percebi que o mundo ao nosso redor fala muito, mas faz muito pouco. Enquanto estive em recuperação da cirurgia, recebi imensas mensagens que diziam algo semelhante a "para a semana vou-te visitar" e fiquei tão feliz por sentir que tenho amigos preocupados com o meu bem-estar. A verdade é que nenhum apareceu e o "amanhã" continuava sempre a ser amanhã. Deixou-me um pouco triste, no início, porque me senti sozinha e porque não me via a não dar um abraço de carinho a algum amigo que passasse pelo mesmo. E o pior é que, se eles precisassem de alguma coisa, aí viriam sem hesitar. Mas o facto de não me terem vindo visitar não significa que não se preocupem comigo, eu sei disso. Talvez não tenham tido tempo, apenas isso. E está tudo bem. Agora, estou muito bem com isso. Só acho que devemos dedicar um pouco mais de nós àquilo que dizemos amar. Infelizmente, perdi um amigo. Quem me conhece de verdade sabe que, se alguém já foi meu amigo nalgum momento da minha vida, e por circustâncias da mesma a distância já não permite que mantenhamos o mesmo contacto, amigo é amigo. E para mim é para sempre. E custou. Mas é uma ferida que aprendemos a suportar, com o tempo. E aprendemos, igualmente, a valorizar coisas muito mais importantes. É por isso que, neste momento, estou bem. Estou de consciência tranquila porque sei que sou uma boa amiga, e faço sempre o que acho ser melhor para os meus.
Então, este ano, não vou deixar que nada me derrube - nem birras infantis, nem "diz que disse", nem dramas, nem narizes empinados, nem encontros que nunca são marcados, nem encontros que são marcados sem mim. Vou aproveitar e dar muito de mim à minha melhor companhia: eu própria.  Mas, acreditem, vou falar quando algo me magoar e se eu souber que posso mudar algo. Também vou calar quando sentir que não vale a pena. Mas não vou deixar que me pisem de novo. Vou continuar a valorizar as pequenas coisas e, essencialmente, as pessoas que me fazem bem. Sejam felizes, porque eu vou dar o melhor de mim para ser também.

terça-feira, 14 de agosto de 2018

Não temos a nossa casa mas podíamos ter.

Não temos a nossa casa mas podíamos ter. Em dias especiais, como este, gostamos de fazer coisas diferentes. De passear, de aproveitar os dois, de visitar sítios novos ou, simplesmente, de desfrutar da companhia um do outro. Temos uma tradição: tem de haver sempre uma espécie de jantar romântico. Os dois gostamos de cozinhar e de deixar um brilho especial nos pratos que fazemos. Eu costumo colocar um pouco de amor em tudo o que faço. E ele não fica nada atrás. E hoje é o nosso dia. E, ao invés de passar horas a pesquisar um restaurante cuja comida seja livre de glúten aqui por perto, onde existe sempre o receio de que, mesmo que o encontremos, venham umas mãos com farinha/massa/whatever e contaminem o meu prato... preferimos ser mais simples. Se vivêssemos juntos, uma boa refeição e umas velas não nos escapavam. Ah, se vivêssemos juntos não tinha de me despedir dele à noite nem de dizer "vai com cuidado, manda mensagem quando chegares". Mas... seria diferente. Melhor. Mais bonito.
Não tarda acordarei a teu lado. Que bom que vai ser.
Obrigada a ti, à pessoa que és e à pessoa que me fazes ser. É tão bom crescer contigo. Foram os 3 anos e 7 meses mais felizes da minha vida. Obrigada pela paciência, por cuidares tão bem de mim e por me lembrares que os dias menos bons não me definem. És o melhor do meu mundo.

domingo, 12 de agosto de 2018

Que dias intermináveis.

Estes dias têm sido bastante duros... não posso sair de casa e limito-me a estar sentada ou deitada todo o dia. Só quem me conhece sabe o que isso me faz sofrer. Gosto de fazer imensa coisa, de tirar o melhor proveito dos meus dias. Mas sinto-me tão presa. A minha sorte é que os meus pais estiveram de férias durante este período de recuperação mais difícil. Pelo menos não estive sempre sozinha. Mas pronto. Sinto falta de ser eu a tratar das minhas coisas. Eu adoro os meus pais com tudo o que tenho e sou a miúda mais grata por ter, verdadeiramente, a melhor família do mundo. Mas há dias em que já não me identifico com tudo isto. Adoro os jantares em família, as gargalhadas que damos quando estamos juntos e só saem disparates. Adoro o quão bem me fazem sentir e os abraços quentes da minha mãe. Adoro que adorem ter-me por perto. Adoro ver o meu irmão tornar-se no homem que qualquer rapariga deseja. Amo-os pelos valores incontestáveis que me transmitem diariamente.
No entanto, sonho cada vez mais em ter a minha casa, com os meus (mil) cães e o meu amor - é isso que faz sentido para mim neste momento. Já não me identifico com o cansaço, as tardes passadas no sofá... esse tipo de coisas que os pais têm o direito de fazer porque são os maiores trabalhadores. O facto de ter tido imenso tempo para pensar também não tem ajudado muito. Af, quero começar a andar outra vez!
A verdade é que já consigo usar apenas uma moleta, mas sinto necessidade de parar para descansar e esticar a perna frequentemente. Mas isto vai lá, já faltou mais.
Gostava de ter tido alguma visita de um ou outro amigo. O Hugo é o melhor do mundo... mesmo sem folgas e descanso, aparece aqui no final do dia, nem que seja só para me lembrar que está aqui. É o meu orgulho. E eu sei que durante estes dias as dores foram muitas e, por vezes, não havia paciência para estar com quer que fosse... mas talvez um abraço ou um ombro amigo me fizessem sentir melhor. Não sei. Eles têm as vidas deles. Eu compreendo.
Talvez eu esteja mais carente. Porque isto é o que acontece quando se está há 8 dias em casa, a ver as mesmas coisas e as mesmas pessoas, a quem tens de pedir tudo. 
Não são as melhores férias do mundo. Mas o lado positivo é que prefiro passar por isto agora a ter de faltar a aulas ou ao estágio. Por isso agradeço. Obrigada!
Ps: quero ver o mar, mas não posso apanhar sol.

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Eu sei, é só mais uma fase.

Parte de mim está muito feliz. Finalmente fiz a operação que prometia livrar-me de alguns problemas que têm vindo a atacar o meu joelho, provocando uma dor intensa há quase 3 anos. E estou verdadeiramente esperançosa de que tudo vai melhorar. Não tarda estou aí a fazer maratonas.
No entanto, por outro lado, uma parte de mim será sempre vulnerável. Muito vulnerável. O facto de conseguir fazer muito pouco, de passar grande parte do dia na cama ou no sofá está a dar cabo de mim. Gosto de me levantar cedo, de fazer as minhas coisas. Sou tão independente e, nestes dias, tenho dependido tanto dos outros... isso custa-me muito. Tento ter o maior cuidado com a alimentação, uma vez que não posso fazer exercício como antes, mas por vezes é difícil combater a carência que sinto. Quero estar com todo o mundo mas só me sinto bem sozinha, sem atrapalhar ninguém. Sinto que estou a engordar e só Deus e eu sabemos a forma como o que vejo no espelho me faz sentir.
Só quero que esta fase passe rápido, que volte depressa às minhas atividades, aos meus almoços coloridos feitos por mim, às minhas caminhadas e às saídas com ele. Tenho tantas saudades dele - tem tido imenso trabalho, vai trabalhar 3 emanas seguidas sem uma folga e anda completamente estourado. Como se não bastasse ainda tenta cuidar de mim. É o melhor do mundo.
Não está fácil. Mas há de ficar melhor, com o tempo.

Ele é a minha casa.

Que difícil é termos de nos despedir da pessoa que nos faz acordar com mais força todas as manhãs. Cada vez mais tenho a certeza de que é...